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Artigos e pensamentos
15 de jun. de 2014
Ética e comunicação!
O que esperar de um profissional de comunicação?
"O profissional, antes de tudo, é uma pessoa e deve levar adiante seu projeto de realização em todos os âmbitos da vida. Na medida em que o consegue, aumenta sua credibilidade. O informador deve ser junto (viver honestamente, não prejudicar ninguém e dar a cada um o que é seu). A informação é o meio e não o fim, para alcançar a justiça. Deve ser diligente no tratamento da informação. Deve ser livre, deve contar com autonomia da realização de seu trabalho. Deve trabalhar e aperfeiçoar-se continuamente em busca da excelência profissional. Deve respeitar os direitos de seus semelhantes (em especial o direito à intimidade, à honra e à imagem, assim como o direito à voz e à igualdade - minorias). Não deve difundir aquilo que possa por em perigo a convivência social." (Ética do Profissional da Comunicação, ECHANIZ, Arantza; PAGOLA, Juan, Paulinas, 2007, p. 189).
31 de mai. de 2014
Citizens ...
Incompetente mesmo é aquele que não erra pelo simples fato de nada fazer! O maior mal de uma sociedade é a omissão dos cidadãos, pois encoraja e motiva o exercício arbitrário do poder em benefício próprio.... [...] The greatest evil of a society is the omission of citizens, it encourages and motivates the arbitrary exercise of power for its own benefit. (GHoss, 2014).
25 de mai. de 2014
Momentos
Há momentos que nos deixam assim, sem vontade de olhar para frente, com o pensamento fixo nas turbulências do passado, com os sentimentos conturbados pelas decepções, que só podem existir ao se tratar de alguém em quem depositamos a nossa confiança.
Há momentos e momentos... e quando a tristeza passar e o sol da nossa vida brilhar ainda mais forte, efetivamente sabemos o que de fato faz a diferença em nossa vida... Pena que a gente muitas vezes esquece de valorizar cada momento pelo que é: Um pelo aprendizado, outro, pelo encanto!
7 de mai. de 2014
Ética e Comunicação
Cada vez que me pedem uma palestra sobre relações éticas no campo da comunicação, o desafio é grande. Como olhar este complexo sistema de comunicação sob o olhar da ética e respeito? A informação, o comunicador e o meio de comunicação... todos incluídos num processo que é belo e desafiante. "O caráter protagonista do profissional de comunicação na atual conjuntura midiática transformou-se em causa de rápidos avanços na organização do trabalho, motivados, entre outras razões, pela irrupção das novas tecnologias e pela crescente importância que adquiriram os mass media na narração da realidade. Nesse contexto renovado, surgem novos e estimulantes questionamentos éticos, que habitualmente se vão resolvendo ao longo do caminho, mas que precisam ser fundamentados em princípios." (ECHANZ; PAGOLA, Paulinas, 2007)
18 de abr. de 2014
14 de abr. de 2014
13 de mar. de 2014
“É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1)
A liberdade nos foi doada na cruz de Cristo. Ele
nos libertou e, por isso, concedeu-nos participar da plenitude de sua vida. Na morte,
deu-nos a vida; no sofrimento, conquistou para nós a plena liberdade dos filhos e filhas de Deus.
O tempo quaresmal, por ser tempo de conversão,
possibilita o caminho da verdadeira liberdade. Os exercícios quaresmais do jejum,
da oração e da esmola nos abrem silenciosamente para o encontro com Aquele que é a
plenitude da vida, com Aquele que é a luz e a vida de toda pessoa que vem a este mundo (cf.
Jo 1,10). Jejum, muito mais do que uma privação, é esvaziamento, uma expropriação;
tentativa de deixar-nos atingir pela graça da liberdade com que Cristo nos presenteou. O jejum
abre o nosso ser para a receptividade da vida nova, da liberdade. A oração é a exposição de quem
espera ser atingido pela misericórdia d’Aquele que nos amou primeiro e até o fim (cf. Jo
4,10). A esmola é o amor partilhado; é deixar-se tomar pela dinâmica da caridade; é sair
de si mesmo; é deixar-se tocar pela presença do outro, especialmente do mais necessitado.
No caminho de conversão quaresmal, a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos apresenta a Campanha da Fraternidade
como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. Tráfico Humano e Fraternidade é o tema da Campanha para a quaresma em 2014. O lema é inspirado na carta aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” ( 5,1).
O tráfico humano é o cerceamento da liberdade e o
desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus. Jesus recorda que o conhecimento da
verdade liberta: “conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8,32). A
verdade liberta, pois traz à luz o sentido da grandeza, da beleza, da dignidade da pessoa humana. Ser
filho, filha de Deus é a verdade que liberta, torna livres, deixa viver na liberdade! A liberdade deixa entrever a dignidade única e transparente da pessoa humana. Todos os laços, amarras que impedem
a liberdade desfiguram o homem e a mulher criados à “imagem e semelhança de Deus” (cf.
Gn 1,26). O tráfico humano é um dos modos atuais da escravidão.
O tráfico humano de hoje é, certamente, fruto da
cultura em que vivemos. A Campanha da Fraternidade, ao trazer à luz este verdadeiro
drama humano, deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade. “A cultura do
bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos
outros; faz-nos viver como se fôssemos bolhas de sabão: são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros;
antes, leva à globalização da indiferença.
Neste mundo da globalização, caímos na globalização
da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; não nos diz respeito, não nos
interessa, não é responsabilidade nossa!” (Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 8 de julho de
2013).
O tráfico humano viola a grandeza de filhos,
destrói a imagem de Deus, cerceia a liberdade daqueles que foram resgatados por Cristo.
As comunidades, as famílias, as pessoa certamente buscarão superar a globalização da
indiferença em relação ao tráfico humano.
Provavelmente, diante do desespero das pessoas
traficadas, despertaremos para o “padecer com”. E, assim, não seremos tomados pela
globalização da indiferença que nos tirou a capacidade de chorar (cf. Papa Francisco,
Lampedusa, Itália, 8 de julho de 2013). “Peçamos ao Senhor a graça de chorar pela nossa indiferença, de chorar pela crueldade que há no mundo, em nós, incluindo aqueles que, no
anonimato, tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada a dramas como
este” (Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 8 de julho de 2013).
Maria das Dores nos acompanhe no caminho de
conversão! Jesus Cristo crucificado ressuscitado, que nos libertou do pecado e da morte, anime nossos
passos na participação em sua morte e ressurreição. A todos, irmãos e irmãs, famílias e Comunidades,
uma abençoada Páscoa.
Brasília, 6 de agosto de 2013
Festa da Transfiguração do Senhor
+ Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário
Geral da CNBB
5 de mar. de 2014
Papa Francisco envia mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014
“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”, destacou Francisco.
Ao final da mensagem, Francisco concedeu bênção apostólica a todos os brasileiros desejando uma Quaresma de vida nova em Cristo.
Confira a íntegra da mensagem:
Queridos brasileiros,
Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recordo a vitória da Páscoa: <<É para a liberdade que Cristo nos libertou>> (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: <<Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!>>. Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõe este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.
Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! <<A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência>> (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?
Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais... E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós:<< “Abbá, Pai!”>> (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.
Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.
Francisco
Fonte: Homepage CNBB
1 de mar. de 2014
Mensagem do Papa Francisco - Quaresma 2014.
Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.
O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.
O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.
Francisco
Fonte: Homepage CNBB
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